Carte Blanche resgata o bom e velho agente 007

postado por Andreia Santana @ 12:48 AM
30 de junho de 2012

Por Bruno Porciuncula

Ação, suspense e o fino humor inglês. Esta trinca imortalizada por Ian Fleming nos 14 livros com o espião James Bond está de volta em Carte Blanche, nova aventura do agente 007, escrita pelo americano Jeffrey Davey, que a editora Record lança no Brasil.

O escritor, autor de sucessos como O Colecionador de Ossos, foi escolhido pela Ian Fleming Publications para escrever a quadragésima terceira missão de James Bond na literatura – depois da morte de Fleming, outros escritores continuaram a utilizar o personagem, sem o mesmo sucesso. E, com a benção da família do criador, tomou algumas liberdades.

A Guerra Fria e os anos 60 foram deixados de lado e estamos em 2011. Agora, James Bond tem 30 anos e é um ex-combatente da Guerra do Afeganistão recrutado pela ODG (Overseas Development Group), agência criada na Inglaterra após os atentados do 11 de setembro, nos Estados Unidos. Apesar desta nova sigla, a função é praticamente a mesma do MI6, que ainda existe na trama: proteger o Reino Unido de qualquer ameaça.

O serviço de inteligência britânico recebe a informação de que um atentado vai custar milhares de vidas e prejudicar os interesses da terra da rainha. Com poucas pistas na mão, e apenas uma semana para evitar o pior, Bond vai para Sérvia, Dubai e África do Sul tentar descobrir mais sobre a catástrofe e impedí-la. Durante as investigações, descobre uma conexão entre o irlandês Neil Duhanne e a multinacional especializada em reciclagem de lixo, Green Way International, comandada por Severan Hydt. O agente secreto então terá que usar de sua habilidade e inteligência para acabar com o plano.

O chefe continua o mesmo, M. As secretárias, idem: Miss Monneypenny e Mary Goodnight, esta última, do próprio Bond. E, claro, não poderia faltar a seção Q, responsável pela criação das tradicionais bugingangas, como um iPhone adaptado e rebatizado de iQPhone e um inalador com uma microcâmera. O agente 007 volta a pilotar o seu tradicional Bentley e, assim como nos livros, nada de Martini. Os dois amigos e aliados de Bond, os agentes Felix Leiter, dos Estados Unidos, e Renés Mathis, da França, também aparecem na aventura, em participações que não soam forçadas.

Utilizando uma narração fluida, apesar do excesso de siglas característicos de um livro que envolve agências governamentais, Jeffrey Davey consegue envolver o leitor. Nada do que escreve é excessivo. Cada personagem ou ação que apresenta tem uma função importante na história, sem espaços para se alongar no que não interessa. E a trama é bastante atual, com empresas politicamente corretas envolvidas em guerras e atentados. A conclusão é surpreendente e bem amarrada pelo escritor.

O mais importante, porém, foi manter a personalidade do James Bond literário. Jeffrey Davey conseguiu captar o personagem, que não é um assassino frio e calculista como o cinema, mais atualmente com o ator Daniel Craig, tenta nos apresentar. Os vilões também são bem delineados e têm suas esquisitices típicas do universo de 007: o irlandês evita ao máximo demonstrar qualquer emoção e Severan Hydt tem atração física por corpos humanos em decomposição.

Carte Blanche não é só um belo exemplar de uma aventura de James Bond. É um livro policial capaz de agradar a todos que gostam do gênero.

Infelizmente, não veremos uma nova aventura do espião pelas mãos do escritor. A Ian Fleming Publications já escolheu o próximo a escrever um novo livro de James Bond: o ganense William Boyd, que já anunciou que a história vai se passar em 1969.

Ficha Técnica:

Carte Blanche

Autor: Jeffery Deaver

Tradutor: Ricardo Gomes Quintana

Editora: Record

462 páginas

Preço: R$ 49,90

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Uma Resposta to “Carte Blanche resgata o bom e velho agente 007”

  1. kelly  Says:

    se você curte vai gostar da dica.

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