Selo negro lança biografia de Lima Barreto

postado por Andreia Santana @ 8:18 PM
12 de maio de 2011

O escritor Lima Barreto é o mais novo biografado pela coleção Retratos do Brasil Negro, iniciativa da Selo Negro Edições que tem por objetivo valorizar personalidades e expoentes da cultura afro-brasileira. Autor de grandes clássicos da literatura nacional e um dos primeiros jornalistas brasileiros a denunciar a violência contra a mulher, Lima Barreto produziu romances, novelas, contos, crônicas e diários, mas o devido reconhecimento só veio décadas após sua morte.

Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) entrou para a galeria dos escritores “malditos” ao usar uma linguagem coloquial e criticar abertamente a sociedade hipócrita e racista de sua época. Autor de obras-primas como Triste fim de Policarpo Quaresma e Recordações do escrivão Isaías Caminha, foi duramente rechaçado pelos críticos da sua época. O livro Lima Barreto, sétimo volume da coleção, foi escrito pelo pesquisador Cuti, pseudônimo do doutor em literatura e escritor Luiz Silva. Na obra, o biográfo analisa a produção barretiana e mostra a atualidade dos problemas que ele apontou no início do século XX.

Considerado um dos representantes máximos do pré-modernismo, Lima Barreto criou personagens inesquecíveis como o quixotesco major Quaresma e a ingênua Clara dos Anjos. Seus escritos sempre denunciaram o papel marginal a que negros e negro-mestiços eram relegados em sua época. Crítico do racismo, da burocracia, da corrupção, sofreu, ao longo da vida, diversos preconceitos, aos quais respondeu com uma obra vigorosa. A lucidez com que retrata os primeiros anos do século XX tornou-se fonte de amplas reflexões para educadores, pesquisadores e militantes do movimento negro. Sem contar que boa parte do que escreveu continua atualíssimo no Brasil do século XXI.

A Coleção Retratos do Brasil Negro é coordenada por Vera Lúcia Benedito, mestre e doutora em Sociologia/Estudos Urbanos pela Michigan State University (EUA) e pesquisadora dos movimentos sociais e da diáspora africana no Brasil e no mundo. Além de Lima Barreto, já foram biografados: Abdias Nascimento, João Candido, Lélia Gonzalez, Luiz Gama, Nei Lopes e Sueli Carneiro.

Cuti, o autor deste novo volume, nasceu em Ourinhos (SP) e mora na capital paulista. Formado em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Teoria da Literatura e doutor em Literatura Brasileira pelo Instituto de Estudos da Linguagem (IEL) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi um dos fundadores da organização literária Quilombhoje e um dos criadores e mantenedores da série Cadernos Negros. É autor, entre outros, de Poemas da carapinha (1978); Quizila (1987, contos); Dois nós na noite e outras peças de teatro negro-brasileiro (1991); Negroesia (2007, poemas); Contos crespos (2008); Moreninho, neguinho, pretinho (2009, ensaio); e Literatura negro-brasileira (2010).

Ficha técnica:
Lima Barreto – Coleção Retratos do Brasil Negro

Autor: Cuti

Coordenadora da coleção: Vera Lúcia Benedito

Editora: Selo Negro Edições

Preço: R$ 22,00 / 128 páginas

*Com informações enviadas pela editora.

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4 Respostas to “Selo negro lança biografia de Lima Barreto”

  1. Silvia Caldeira  Says:

    Bom dia a todos,

    Gostaria de uma informação sobre o escritor Aluisio Azevedo. Busco em toda a internet sobre a causa de sua morte, porém a té agora não encontrei nada. Somente informam que ele faleceu na Argentina onde exercia cargo diplomático.
    Existe alguma biografia dele?
    Grande abraço,

  2. cristiane Amaral  Says:

    É sempre um prazer saber que existem brasileiros intelectuais como Lima Barreto que sempre me deu omaior prazer ao lê-lo.Parabéns!Já não era sem tempo!!!

  3. cristiane Amaral  Says:

    Gostaria de acrescentar no meu primeiro comentario:brasileiros que estudam intelectuais como Lima Barreto.

  4. Andreia Santana  Says:

    Oi Silvia,
    Não conheço nenhuma biografia de Álvaro Azevedo e as informações sobre ele na internet só falam mesmo da morte aos 56 anos, em Buenos Ayres, onde era diplomata, mas sem precisar a causa da morte. Pela idade e expectativa de vida naquele começo de século XX, ele morreu em 1913, pode ter sido coração ou algo assim. Mas seria bacana você conversar com um professor que tenha pesquisado, por exemplo, o naturalismo-realismo, escola literária do autor. Abraços e boa sorte!

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