Record lança novo romance de Edney Silvestre

postado por Andreia Santana @ 12:42 AM
26 de novembro de 2011

Vencedor do Prêmio Jabuti de Melhor Romance em 2010 e do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria autor estreante com Se eu fechar os olhos agora, o jornalista e escritor Edney Silvestre é um dos autores com obra traduzida e distribuída no exterior pelo edital da Fundação Biblioteca Nacional.

O novo livro do autor,  A felicidade é fácil, saiu este mês pela editora Record. A obra é ambientada no Brasil do governo Collor e intercala fatos da história recente do país com romance político e gênero policial. A ação transcorre em menos de 24 horas (entre 7h20 do dia 20 e 5h34 do dia 21 de agosto de 1990, com três flash back), a partir da impressionante cena de um sequestro…

Ficha Técnica:

A felicidade é fácil

Autor: Edney Silvestre

Editora Record

224 páginas

Preço: R$ 29,90


Quem ama escuta, novo livro de Betty Milan chega às livrarias

postado por Andreia Santana @ 8:29 PM
30 de agosto de 2011

Depois das férias e de um tempo para organização interna, Luz sobre a escrivaninha está de volta e já retoma os trabalhos com o pé direito, com uma dica de leitura imperdível. O novo livro da escritora e psicanalista Betty Milan, Quem Ama Escuta (Ed. Record), já está nas livrarias. A obra reúne os melhores textos publicados na coluna que a autora mantém no site Veja.com. A ideia é fazer o leitor refletir, sem preconceitos, sobre os dramas da vida e dos relacionamentos.

Assim como em Fale com ela, outra experiência da escritora com base em suas colunas diárias, Quem Ama Escuta reúne as respostas às perguntas enviadas pelos leitores de Betty Milan sobre inquietações pessoais, dúvidas nos relacionamentos afetivos e autodescoberta.

Da autora, já li e resenhei para A TARDE, o livro Trilogia do Amor (ficção). Você pode ler um trechinho de Trilogia do Amor aqui e ler a resenha da obra neste link. Em breve, pretendo também resenhar Quem Ama Escuta e publicar aqui no blog.

Ficha Técnica:

Quem Ama Escuta

Autora: Betty Milan

Editora Record

416 páginas

R$ 42,90


O poder e a lei ganha nova edição em português

postado por Andreia Santana @ 8:56 PM
5 de junho de 2011

Cena do filme O poder e a lei

Capa da primeira edição do livro no Brasil

O best seller de Michael Connelly, O poder e a lei, ganha reedição no Brasil na esteira do lançamento no país do filme homônimo estrelado por Matthew McConaughey, Marisa Tomei e Ryan Phillippe. A obra foi publicada na terra brazilis pela primeira vez em 2007, pela Editora Record, com o título Advogado de porta de cadeia.

Em O poder e a lei, Connelly narra a história de um advogado inescrupuloso que roda pela cidade em seu sedã Lincoln farejando novas oportunidades de ganhar dinheiro. No cinema, o advogado é vivido por McConaughey. Até que o personagem se depara com um caso aparentemente fácil, ao defender um rico playboy acusado de estupro, mas que acaba colocando sua vida em perigo. Logo após a estréia do filme nos Estados Unidos, o livro já ocupava o primeiro lugar na lista de livros digitais mais vendidos do New York Times.

Ficha Técnica:

O poder e a lei

Autor: Michael Connelly

Editora Record

406 páginas

Preço: R$ 39,90


Estranha Presença: Terror à moda Hitchcock

postado por Andreia Santana @ 4:34 PM
23 de maio de 2011

Sarah Waters propõe uma guerra de nervos com o leitor, nos moldes de obras como o primoroso Psicose, de Alfred Hitchcock

Ler o romance Estranha Presença me lembrou o filme O orfanato, de Juan Antonio Bayona, estrelado por Belén Rueda. A obra, tal qual a produção cinematográfica, se passa em uma casa antiga, decadente, claustrofóbica apesar do tamanho, cheia de quartos escuros e mistérios do passado. A semelhança do livro de Sarah Waters com o filme não fica por aí. Trata-se do mesmo tipo de atmosfera assustadora que une o sobrenatural das típicas histórias de fantasma e o psicológico. Tem uma nuance de Psicose, de Alfred Hitchcock. Nas mãos do mestre, Estranha Presença se tornaria tão primoroso quanto a saga de Norman Bates.

Há um mal interno que alimenta forças sinistras exteriores que, uma vez liberadas, agirão até as últimas conseqüências. O tom fatalista acompanha o romance desde o primeiro capítulo e em certos momentos, torna a leitura angustiante.

O livro conta a história de uma família de aristocratas ingleses falida após a II Guerra Mundial e vivendo em uma antiga mansão rural arruinada. O pano de fundo é a morte de um modo de vida e o surgimento de outro. Parte das terras da antiga fazenda foi desapropriada para que o governo construa loteamentos de casas para uma nova classe média emergente. A família Ayres, enquanto ressente-se da glória perdida e teme a aproximação da “ralé”, afunda em dívidas e dramas psicológicos que desenterram medos profundos e antigos. A loucura ronda.

A história é contada pelo amigo dos Ayres, um comedido, pacato, porém ambicioso, médico que encarna o protótipo do homem metódico e fleumático britânico, chamado Faraday. Vindo dessa mesma ralé rejeitada pelos aristocratas, ao longo da trama, ele ganha a confiança da família por sua aparente solidez moral e mental. A proximidade com a atormentada família, porém, envolve-o nos acontecimentos sobrenaturais que tem como cenário a sinistra mansão de Hundreds Hall.

A narrativa hábil de Sara Waters propõe o bom e velho jogo de espelhos. Nem tudo é o que parece ser e as conclusões mais apressadas do leitor acabam frustradas pela habilidosa e intrincada trama da autora. Para quem gosta de ser surpreendido,  as expectativas são prontamente atendidas. Além disso, ela propõe um romance entre Faraday e a herdeira da mansão, Caroline Ayres, pontuado por preconceitos de classe, expectativas e desejos de uma fuga da realidade ansiada pelos dois. O leitor tem uma intuição do que poderá resultar de semelhante enlace, mas a autora ilude a percepção até dos mais argutos.

A trama contada por um observador também envolvido na história, não deixa de trazer aquelas questões de sempre sobre o quanto da nossa visão de leitor está contaminada pelo olhar de um único personagem. A dica é ler as entrelinhas, ter em mente a sequência cronológica dos fatos e se ater aos “atos falhos” da narrativa de Faraday. Pelo desafio à sagacidade do leitor, o texto lembra Conan Doyle e Agatha Christie, não à toa dois autores britânicos – assim como também é o cineasta Alfred Hitchcock – de literatura de mistério que precederam Sarah Waters e lançaram bases sólidas para este tipo de entretenimento que não se pretende elaboradíssimo ou erudito, mas é intenso dentro da sua proposta.

Ficha Técnica:
Estranha Presença

Autora: Sarah Waters

Tradução: Ana Luiza Dantas Borges

Editora Record

4480 páginas / Preço: 57,90


Elisa Lucinda para petits

postado por Andreia Santana @ 8:04 PM
7 de abril de 2011

Elisa Lucinda faz mais uma incursão na literatura infanto-juvenil com o livro A dona da festa, que integra a coleção Amigo Oculto, do selo Galerinha (Ed. Record). O livro traz charadas poéticas para crianças e adultos que jamais superaram a idade das descobertas.

A coleção parte das brincadeiras de adivinhação, que sempre fizeram parte do imaginário infantil. Em cada um dos títulos, a poeta e atriz traz charadas sobre personagens estranhos, mas sempre presentes nas vidas de crianças e adultos. Tramas onde os heróis são sentimentos, emoções e ações que habitam o cotidiano. Fazem parte da coleção, os livros: O órfão famoso, sobre o erro; Lili, a rainha das escolhas, sobre liberdade de opinião; O menino inesperado, dedicado ao medo e A menina transparente, sobre a poesia.

Assim como os outros volumes, A dona da festa, que descreve a alegria, também é ilustrado por Graça Lima. Logo nos primeiros versos, a personagem avisa que é uma otimista: “Sou uma menina que vê primeiro o lado bom da fruta”.

Quem é? Elisa Lucinda nasceu em Vitória – Espírito Santo – e é poeta, jornalista, professora, atriz e cantora. Tornou-se conhecida e querida do grande público por seus trabalhos no teatro, TV e cinema, além de ser reconhecida no Brasil e no exterior pelos espetáculos, recitais e workshops em que “conversa”  com o publico através da poesia . Em 2009, a autora ganhou o prêmio Mulher Cidadã – Bertha Lutz, concedido pelo Senado Federal. Ao todo, Lucinda tem 11 livros publicados.  Da coleção Amigo Oculto, A menina transparente recebeu o selo Altamente Recomendável, da Fundação Nacional do Livro, marcando, em 2000, a estreia da autora na literatura infantil.

Ficha técnica:

A dona da festa – Coleção Amigo Oculto

Autora: Elisa Lucinda

Ilustrações: Graça Lima

Editora: Grupo Editorial Record/Galerinha Record

24 páginas / Preço sugerido: R$ 32,90


Livro conta a história da exploração do ouro no Brasil

postado por Andreia Santana @ 6:49 PM
18 de março de 2011

A história da corrida do ouro durante o Brasil colonial é recontada pelo jornalista Lucas Figueiredo no livro Boa Ventura!, lançamento da Editora Record que chega ao mercado brasileiro agora em março. A obra é ambientada em 1876, durante a decadência do império lusitano e após o fim do ciclo do ouro.

Em tom de flashback e unindo aventura e história, o livro começa com a falência do tesouro do rei D. Luis I, no final do século XIX, que vasculhando os cofres do reino em busca de joias e itens de valor para venda, encontra uma pepita de ouro de 20 quilos. A partir daí, a obra revive os detalhes da febre do ouro no Brasil e em Portugal.

São narradas em Boa Ventura! desde as tentativas infrutíferas dos primeiros anos da colonização, quando as expedições para localizar ouro e pedras preciosas deram em nada e muito dos “homens valorosos do reino” encontraram a morte por doenças tropicais nos confins das florestas, até a descoberta do metal precioso, primeiro em Minas Gerais, depois Bahia e Goiás.

Lucas Figueiredo traça um painel  riquíssimo tanto dos desafios em domar a natureza selvagem quanto a humana, pois não faltam traições, intrigas, assassinatos e muita corrupção nessa história.

Ficha Técnica:
Boa Ventura!

Autor: Lucas Figueiredo

Grupo Editorial Record/Editora Record

368 páginas

Preço: R$ 39,90

*Com informações fornecidas pela editora


Dica de leitura do dia: O Jardim dos últimos dias

postado por Andreia Santana @ 9:19 PM
10 de março de 2011

Jennifer Conelly e Ben Kingsley em cena de "Casa de areia e névoa"

O Jardim dos últimos dias é o livro que escolhi para retomar a série Dica de leitura do dia aqui do blog. Trata-se da nova obra de Andre Dubus III, mesmo autor do premiado Casa de Areia e Névoa, que foi adaptado para o cinema em um belíssimo filme protagonizado por Ben Kingsley e Jennifer Connelly. Nesta nova obra, o tema explorado é o 11 de Setembro, que  completa 10 anos agora em 2011. O  livro, no Brasil, sai pela Record e é da editora a sinopse abaixo:

“Baseado nos rumores de que um dos terroristas teria vivido os prazeres da sociedade ocidental dias antes dos atentados, o autor destrincha a sociedade norte-americana numa história de acasos e escolhas.  A partir da vida de April, mãe da pequena Franny e dançarina numa boate de striptease na Flórida, onde o árabe Bassam busca satisfação antes de matar e morrer em nome da estrita fé islâmica, Dubus mostra que estavam todos, a seu modo, em busca de redenção.

Numa noite de setembro de 2001, na Flórida, a stripper April é obrigada a deixar sua filha pequena com a gerente do Clube Puma, a boate em que trabalha, quando a babá fica doente. É lá que Lonnie, o leão de chácara, evita que os atrevidos desrespeitem as dançarinas. É onde AJ, operador de escavadeira, tenta esquecer seus problemas familiares. Onde o árabe Bassam procura os prazeres negados pelo rigor do islamismo: álcool, cigarro e mulheres”.

O Autor - O californiano Andre Dubus III recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e os prêmios National Magazine e Pushcart por Casa de Areia e Névoa. Ele mora com a família no norte de Boston e é professor adjunto da University of Massachusetts Lowell.

Ficha Técnica:
O jardim dos últimos dias

Autor: Andre Dubus III

Tradução: Marcelo Barbão

Grupo Editorial Record | Editora Record

476 páginas / Preço: R$ 67,90


Resenha: A Rainha da Fofoca em Nova York (Meg Cabot)

postado por Andreia Santana @ 7:58 PM
13 de fevereiro de 2011

Garotas querem mais que apenas diversão
A linguaruda Lizzie Nichols está de volta em romance ácido, irônico e divertido

Cindy Lauper que me perdoe, mas as garotas querem mais do que apenas diversão. E no caso de Lizzie Nichols, uma das personagens cinematográficas de Meg Cabot, a moça quer casar e não há nada de demodé nisso! Em A Rainha da Fofoca em Nova York (Ed. Galera/Record), a personagem está de volta mais adulta e, ainda assim, mantém a ingenuidade e expectativas de adolescente recém-saída da High School.

O livro trata do universo feminino americano, mas, guardadas as devidas proporções, se encaixa na vida de jovens na faixa dos vinte e poucos por aqui também. Primeiro, porque vivemos tempos de Globalização e a cultura de um país, em certa medida, é apropriada e pertence a vários. Além disso, casadoiras cândidas, atrapalhadas e cheias de boas intenções, que de vez em quando pagam mico ou pisam na bola, não são uma prerrogativa exclusiva de uma cultura, ou país, em particular.

Nessa continuação do bombado A Rainha da Fofoca – e qual livro de Meg Cabot não cai nas graças da mulherada? -, Lizzie se muda para Nova York para realizar o sonho de abrir um ateliê de reforma e customização de vestidos de noiva. E aqui um parêntese para as páginas do Manual de Casamento de Lizzie, que intercala os capítulos, com seus deliciosos textos e desenhos em estilo “passo a passo para o altar”. Além das divertidas dicas, o “manual” não fica devendo em nada aos melhores consultores de uma fina maison para noivas. Sinal de que a autora pesquisou esse mundo dos cerimoniais, tornando sua personagem convincente e cativante.

Kristen Bell é cotada para viver Lizzie Nichols no cinema. Os produtores de Meninos Não Choram compraram os direitos da trilogia A Rainha da Fofoca

Fashionismo, ironia inteligente e uma divertida combinação de comédia romântica com humor pastelão são elementos que nunca faltam às obras de Meg Cabot e podem indicar porque a escritora é queridinha global. As leitoras se vêem nas histórias – mais uma vez guardadas às devidas proporções – e num mundo tão narcisista, em que mostrar-se ganha cada vez mais importância, obras que traduzem o comportamento da geração atual são um estudo antropológico, mas sem o peso do academicismo.

A verdade é que, com o perdão do lugar comum, a danada da autora sabe falar com suas leitoras e mais, consegue cativar até quem não era muito afeita ao Chick Lit. O estilo narrativo inconfundível, ágil e pontuado por situações tanto prosaicas quanto improváveis, fazem de A Rainha da Fofoca em Nova York mais um Meg Cabot na essência, sem que com isso a autora esteja se repetindo.

Lizzie fala demais e quase sempre sem pensar nas conseqüências, é sonhadora e em paralelo a abrir sua loja e vencer na “cidade grande”, fugindo do previsível futuro classe média do american way of life, quer o que boa parte das mulheres querem – e aquelas que não querem é porque ainda não admitiram -: encontrar o príncipe encantado. Ou pelo menos um parceiro confiável – e amável – com quem tocar a vida.

A capacidade da escritora se reinventar abordando sempre os mesmos temas “de mulherzinha” (ao menos nos seus romances femininos, já que ela também tem obras com outros estilos), mas sem a antropofagia de consumir suas próprias criações por falta de ideias novas, é estarrecedor e ao mesmo tempo um alento às suas leitoras.

Meg Cabot

Lizzie Nichols não se parece com Heather (Tamanho 42 não é gorda) e muito menos lembra a fofa Mia da saga Diário da Princesa, só para citar algumas das heroínas inesquecíveis da escritora. Embora as três personagens tenham em comum a pegada cosmopolita nova iorquina (essa é a cidade por excelência do Chick Lit) e tragam a “essência Cabot”, são mulheres em estágios da vida diferentes, que vivem situações compatíveis com suas faixas etárias, mas que trazem traços em comum a todas as mulheres, na vida ou na ficção: a necessidade de planejar o futuro, a capacidade de amar incondicionalmente (ou quase), as inseguranças com a balança, a cumplicidade com as amigas… Isso só para citar alguns exemplos.

Não se trata aqui de uma literatura de grandes e dramáticos conflitos, ou de recursos estilísticos e narrativos revolucionários. É pura e simplesmente a delícia do cotidiano miudinho e cor de rosa. Novelinha leve, descompromissada e com seu charme de espelho de Alice em que todas se vêem e sentem-se devidamente representadas.

Ficha Técnica:
A rainha da fofoca em Nova York

Autora: Meg Cabot

Tradução: Ana Ban

Editora: Galera / Record

431 páginas / Preço: R$ 39,90


Novo livro da autora de Diários do Vampiro chega ao Brasil

postado por Andreia Santana @ 12:42 AM
11 de fevereiro de 2011

A série Mundo das Sombras é a mais nova aposta da autora de Diários do Vampiro, L. J. Smith. Na nova saga, ela apresenta uma sociedade secreta de vampiros, lobisomens, bruxas e outras criaturas. O primeiro volume da nova coleção chama-se Vampiro Secreto (ED. Record).

Vampiro Secreto conta a história de Poppy, que foi diagnosticada com câncer terminal, até que James, seu amigo e por quem é apaixonada, lhe oferece uma maneira de evitar a morte: a vida eterna. James está disposto a infringir as regras do Mundo das Sombras por amor, mas a lei é clara: se alguém da sociedade se apaixonar por um humano, deve ser punido com a morte.

A série Diários do Vampiro é da safra que transformou os sugadores de sangue no novo fenômeno pop e teen. Já vendeu 700 mil exemplares no Brasil e a escritora é considerada queridinha dos adolescentes. Tornou-se fenômeno também graças à série na TV fechada,  adaptação de Kevin Williamson, mesmo autor de Dawson’s Creek.

Ficha técnica:

MUNDO DAS SOMBRAS – VAMPIRO SECRETO

L. J. Smith

Tradução: Ryta Vinagre

Grupo Editorial Record / Galera

224 páginas / Preço: R$ 29,90


Resenha: A vida secreta de uma mãe caótica

postado por Andreia Santana @ 1:20 PM
11 de dezembro de 2010

Mães à beira de um ataque de nervos
Romance de Fiona Neill acerta na mistura de comédia romântica com os dilemas da maternidade

“A culpa é a planta trepadeira da maternidade. As duas são tão inexoravelmente interligadas que é difícil saber onde termina uma e começa a outra”.

Quem pensa que mãe e sedução são palavras incompatíveis no dicionário é bom rever os conceitos. A maternidade contemporânea vista sob a perspectiva da escritora britânica Fiona Neill abre espaço para a sexualidade e o desejo em meio a fraldas e mamadeiras. Inspirada em uma coluna que mantém no jornal The Times, na Inglaterra, a autora une em A vida secreta de uma mãe caótica – Ed. Record – elementos de comédia romântica e reflexões sobre o ser mãe x o ser mulher nos tempos modernos. E nos apresenta Lucy, uma divertida anti-heroína que tenta dar conta do marido, três filhos, tarefas domésticas, vida social, dramas familiares e ainda arranja tempo para cair em tentação e se apaixonar por um pai da escola das crianças.

Lucy não é perfeita como mocinha de novela. É confusa, carente, culpada, fuma feito uma chaminé, se acha quilos acima do peso e consegue pagar tantos micos quanto a conterrânea Bridget Jones. Com a diferença de uma ser dona de casa – mãe em tempo integral no linguajar “político-corretês” – e a outra uma profissional liberal, as duas personagens muito se assemelham. Essa familiaridade da história de Fiona Neill com a rainha das anti-heroínas criada por Helen Fielding nos idos da década de 90 e responsável pelo boom do Chick Lit (literatura feminina moderna), dá um grande conforto ao leitor. É como pisar em caminho conhecido, mas não necessariamente igual.

Cena do filme "Uma mãe em apuros"

Fiona Neill tem suas cartas na manga para não ficar à sombra de uma mera imitação. Lucy é inspirada em dezenas de mães que escrevem semanalmente para a coluna de conselho doméstico e sentimental que a autora mantém no jornal de maior prestigio da Inglaterra. A protagonista é um pouco autobiográfica também. Fiona Neill tem três filhos e conhece bem os sentimentos conflitantes das mães atuais, eternamente divididas entre dar tudo de si na educação das crianças e não perder espaço no competitivo mercado de trabalho. Além, claro, de arranjar tempo para aparecer sempre linda, cheirosa e depilada para o maridão. É esse avatar de super mulher bem resolvida e capaz de dar conta de multitarefas que as capas das revistas vendem, mas a realidade, nos mostra a escritora, está anos luz de distância. Os terapeutas que o digam…

Psicologia com humor - Em comum com O diário de Bridget Jones – e não tem como ser diferente porque Helen Fielding fez escola – A vida secreta de uma mãe caótica possui a narrativa em primeira pessoa e a construção psicológica da personagem principal. Lucy é tão divertida e atrapalhada quanto a solteirona balzaca Bridget, porque encarna o estereótipo de todos os nossos defeitos – e virtudes – femininas (melhor dizendo, humanas). Além disso, também vive um dilema bridgetiano: deve escolher ficar com o sujeito certinho e meio previsível (o marido Tom) ou jogar-se numa aventura com um conquistador charmoso e pai dos coleguinhas de seus filhos no ensino fundamental? Sentindo-se engolfar pela rotina doméstica entediante, a aventura – e o adultério que vem de brinde – assemelha-se a uma ilha de prazeres proibidos e secretos que revelariam a verdadeira Lucy, uma jovem radiante e cheia de projetos antes do casamento. Haja força de vontade para não deixar-se levar. Mas será que Lucy é forte o bastante? Ou será que vale a pena sacrificar a cumplicidade adquirida por uma vida em comum com o marido apenas pelo sabor da aventura?

Bridget (no cinema Renée Zellweger), dividida entre o bom moço Darcy (Colin Firth) e o bon vivant Daniel (Hugh Grant). Dilema semelhante ao da mãe caótica Lucy

As torturas psicológicas da personagem são tratadas com muita graça pela autora. Queremos ver Lucy se debater no seu dilema “trair ou não trair o marido, eis a questão”, porque quanto mais ela se sente culpada, mais confusa fica e mais divertido é o desenrolar da história. A autora também brinca com os conceitos de fidelidade e decoro impostos pela nossa construção social e com a moral apregoada pela religião, sem no entanto subverter ou tecer juízos de valor. Deixa a critério de cada um tomar a defesa ou jogar mais uma pedra em Lucy.

Brincando com estereótipos – Mordaz e irônica – a fleuma britânica atuando em favor da condução narrativa – a personagem é carismática porque encarna dramas da vida cotidiana e ordinária, mas é também muito irritante porque por mais que as leitoras se reconheçam em alguma situação vivida pela protagonista, ninguém gosta de assumir-se passivo diante da vida. No fundo, torcemos para que ela organize não apenas a bagunça na cozinha, mas sobretudo na própria cabeça. A redenção de Lucy é o passaporte para manter o status quo de mulheres modernas e pseudo bem resolvidas. Se ela fracassar, o ideal de mulher maravilha desaba junto.

A intenção da obra é usar lentes de aumento para acentuar e fazer piada, de forma inteligente e perspicaz, com os defeitos humanos. O livro está cheio de estereótipos impagáveis como a classificação que Lucy faz mentalmente das mães e pais da escola primária: a “mãe alfa” é a super competitiva que, uma vez fora do mercado por conta das obrigações maternas, transforma a própria casa em sucursal de multinacional, estabelecendo regras marciais para as crianças; a “mãe gostosa número um” é a rata de academia e de salão de beleza, com cartão de crédito ilimitado e batalhões de empregados para cuidar das crianças enquanto ela retoca a maquiagem; já as mães caóticas, como Lucy, são as mortais comuns que não tem nem disciplina e nem conta bancária para pertencer às duas categorias anteriores. No meio desse mulherio almodoviano (à beira de um ataque de nervos), está o “pai sexualmente domesticado”, aparentemente bem casado e dedicado.

No fim das contas, trata-se de uma obra de autodescoberta, mas ao invés de descambar para o dramalhão ou a autoajuda, a autora segue o caminho do escracho e revela-se uma sagaz observadora do comportamento humano, principalmente feminino, diante de tantas exigências e papeis ainda rigidamente demarcados no jogo afetivo e social.

Ficha Técnica:
A vida secreta de uma mãe caótica

Autora: Fiona Neill

Tradução: Cássia Zanon

Grupo Editorial Record

480 páginas / R$ 59,90