Livro com ensaios de Baudelaire comemora bicentenário de Wagner

postado por Andreia Santana @ 12:42 PM
21 de maio de 2013

A Editora Autêntica lançou este mês no mercado editorial nacional o livro Richard Wagner e Tannhäuser em Paris, de Charles Baudelaire, em comemoração ao bicentenário de nascimento do compositor e maestro alemão (1813-1883), celebrado nesta quarta, 22 de maio. O livro, dividido em duas partes, apresenta textos de Baudelaire que expressam a admiração do poeta francês pelo compositor e também análises de pesquisadores de música e artes sobre a obra de Wagner.

Em 1861, após assistir um concerto de Wagner, Baudelaire escreveu o artigo Richard Wagner, com reflexões filosóficas, musicais e literárias sobre as obras do músico. O outro texto, publicado no mesmo ano – Ainda algumas palavras - trata dos acontecimentos em torno da apresentação do Tannhäuser, que impediram que a ópera continuasse a temporada por conta da reação negativa de parte do público e da imprensa francesa.

A primeira parte de Richard Wagner e Tannhäuser em Paris também traz ainda a carta que Baudelaire enviou ao compositor logo após seu concerto em Paris e a carta de agradecimento de Wagner ao poeta pelo apoio à sua obra e às suas ideias, ambos textos inéditos no Brasil; além de um ensaio de Franz Liszt, pianista e compositor do século XIX. Já a segunda parte traz ensaios da organizadora e tradutora Eliana Marta Teixeira Lopes e de dois pesquisadores brasileiros de música e arte, incluindo um texto sobre o músico Francisco Braga, que no século XIX apresentou as obras de Wagner ao público brasileiro.

Ficha Técnica:

Richard Wagner e Tannhäuser em Paris

Autor: Charles Baudelaire

Tradução e organização: Eliana Marta Teixeira Lopes

192 páginas

Editora Autêntica / Preço: R$ 42,00

*Com informações enviadas pelo Grupo Editorial Autêntica


No meu tempo de estudante era assim…

postado por Andreia Santana @ 3:12 PM
16 de junho de 2012

Retratos da Escola, que reúne contos e crônicas de autores diversos, além de um trecho do clássico romance O Ateneu, de Raul Pompeia, promete – e cumpre – um passeio pela vida estudantil e o seu entorno. O livro é um prato saboroso para os nostálgicos, mas não fica devendo aos leitores mais jovens, igualmente conquistados por sua atmosfera de diário coletivo que transcende a barreira do tempo. Pena que seja tão curtinho!

A coletânea, organizada por Adriano Macedo, que também contribui com uma história contemporânea, de sua autoria (A prova de matemática), começa com o igualmente clássico Conto de Escola, de Machado de Assis, do século XIX; mas faz um passeio por períodos diversos. A história de Branca Maria de Paula, Pisando Leve, é ambientada em um internato só de moças, com um perfume de anos 50/60. A figura das normalistas de riscadinho azul remete às memórias de nossas mães e avós.

Igual, só que diferente - Ao ler as histórias de Retratos da Escola, a sensação de familiaridade – “estudante é tudo igual, só muda de década” -, torna a leitura confortável. Mas, embora a cultura estudantil seja uma espécie de marco comum a todas as épocas, há uma grande diversidade não só de tempo e lugar, mas do estilo de escrita dos escolhidos para figurar na coletânea.

Essa diversidade dentro de uma cultura idealizada e aparentemente uniforme como é a dos tempos escolares, faz com que em cada página se revele uma grata surpresa para o leitor. O livro é um rico mosaico, ou “álbum de retratos” que reforça a memória coletiva e, em muitos casos, saudosa. Um suspiro nos escapa: “no meu tempo de escola era assim…”

Entre os contos, tem para todo gosto. Alguns são cativantes, outros engraçados, irônicos ou, ainda, líricos. O organizador teve o cuidado de escolher autores de escolas literárias e épocas diferentes, mas que sutilmente tem em comum uma espécie de aura de sensibilidade que reúne as peças do mosaico em um todo harmônico.

É de fato como folhear um livro de recordações – ou um daqueles anuários escolares – em que umas memórias são doces, outras agridoces, algumas até meio aborrecidas (mico se paga em qualquer tempo), mas todas dignas de ser lembradas.

Ficha Técnica:

Retratos da Escola

Vários autores

Organização: Adriano Macedo

88 páginas

Preço: R$ 29,00


Uma ode à sinceridade infantil e a liberdade de expressão

postado por Andreia Santana @ 3:43 PM
4 de junho de 2012

Gianninno, apelidado Gian Burrasca (tempestade) por ser considerado muito travesso, é apenas uma criança típica, mas extremamente inteligente e precoce; capaz de surpreender os adultos em suas contradições. “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” não é uma máxima convincente para o pequeno Gian. Nas páginas de seu diário, ele questiona as injustiças cometidas por pais muito severos com seus filhos, mas que são pessoas moralmente frágeis a ponto de colocar em xeque a credibilidade da criação dos pequenos.

Os relatos de O diário de Gian Burrasca, do humorista italiano Vamba (que nasceu Luigi Bertelli), são de um tempo em que castigos corporais e palavras duras, desqualificantes, faziam parte da criação dos filhos. Um tempo em que os pais não conquistavam o respeito pela coerência de suas ações e palavras, mas apenas por incutir temor nas crianças. O livro, no entanto, é mais que isso. Através do personagem Gian Burrasca, Vamba mostra a hipocrisia da sociedade italiana do começo do século XX (a obra é de 1906/1907) e embora pareça antiga, a história é atemporal. A crítica social, política e de costumes contida no diário vale tanto para a Itália quanto para qualquer outro país nos dias de hoje.

Gianninno, na tentativa de ser um filho modelo e comportado, coloca em prática os ensinamentos teóricos que recebe da família, mas sempre esbarra na prática contrária. Se os parentes mandam que ele respeite os mais velhos, por exemplo, agem de forma diferente das próprias palavras, colocando apelidos maldosos nos tios ricos e vivendo na expectativa de que estes morram para legar-lhes uma gorda herança.

Na cabeça do menino, a contradição, justificada pelos adultos como parte do “jogo social”, provoca revolta e insurreição. Giannino, sentindo-se injustiçado por fazer o que dizem ser certo, mas ser repreendido devido à maleabilidade da moral e ética adulta, se revolta e acaba levando outras crianças para a sua “revolução”.

Na Itália, O diário de Gian Burrasca é considerado um clássico e já foi levado aos palcos em forma de musical

O problema é que só o leitor percebe as jogadas de Gian para revelar aos adultos as próprias falsidades. Imersos no lodo da sociedade, os mais velhos estão cegos e surdos a qualquer tentativa do garoto de dar-lhes uma lição. De certa forma, a mensagem de Vamba parece dizer que em meio à forte pressão do grupo para a manutenção das coisas como estão, as vozes dissidentes serão sempre consideradas rebeldes e marginais, mesmo que estejam certas.

O menino, depois de desventuras e aventuras e de ser levado daqui para ali, para a casa de parentes que tentam “corrigi-lo”, é mandado para o colégio interno como um último recurso de uma família que não pretende assumir a responsabilidade pela sua formação, revendo inclusive os próprios erros (a ideia dos adultos é de que eles não erram); mas apenas ditar-lhe normas de comportamento que quando ele for adulto poderá quebrar ou remodelar ao sabor das circunstâncias, mantendo sempre a “ordem natural das coisas”.

No colégio, Gian descobre que as mesmas injustiças domésticas existem em grau máximo e passa a fazer parte de uma sociedade secreta que tem por finalidade revelar os maus-tratos sofridos pelos alunos e também punir os diretores que não só praticam as barbaridades, como são coniventes com a perversidade de outros funcionários.

Sem voz em uma sociedade que não dá a menor credibilidade às crianças, o menino e seus companheiros passam a usar táticas de guerrilha para sobreviver em meio a uma ditadura de costumes imposta por pais, professores e qualquer outro adulto.

À primeira vista, O diário de Gian Burrasca, pode parecer só uma saudosa coletânea de traquinagens infantis. Mas através das memórias de seu protagonista, o autor homenageia não somente a infância livre e criativa dos tempos de outrora, mas acima de tudo, a capacidade das crianças de serem sinceras e dizerem sempre as “verdades inconvenientes”. Faz ainda uma bela apologia à liberdade de expressão em uma sociedade que pratica a patrulha ideológica e a repressão dos talentos individuais, em qualquer tempo.

Ficha Técnica:

O diário de Gian Burrasca

Autor: Vamba (Luigi Bertelli)

Tradução: Reginaldo Francisco

Editora Autêntica

248 páginas

Preço: R$ 34,00


Resenha: uma história de amor com gosto de infância

postado por Andreia Santana @ 12:29 PM
27 de maio de 2012

Quem já leu Luna Clara e Apolo 11, de Adriana Falcão, vai se identificar de imediato com Mil coisas podem acontecer, de Jacobo Fernández Serrano, que no Brasil ganhou edição da Autêntica. A narrativa segue a mesma receita de unir uma bela história de amor, com generosas doses de humor, ludicidade, aventura, suspense e pitadas de absurdo, só para deixar a receita mais saborosa.

Ricamente ilustrado por seu autor, que é também artista gráfico, Mil coisas podem acontecer é aquele tipo de livro de leitura rápida, de um só fôlego, dos tais que não conseguimos largar até concluir e que dá vontade de reler outra vez e mais outra. Ou então, depois de decorada a história, apenas folhear, viajando no cineminha mudo das gravuras.

A história singela fica na memória e o colorido dos desenhos só ajuda a fixar mais na lembrança os carismáticos personagens. Não tem como terminar a leitura e não simpatizar com o rio Inrique; ou com os personagens do “mundo dentro do mar”. Ou ainda com Propicius e sua mania de limpeza.

Dos protagonistas então, nem se fala, Lina e Pouco merecem um fã-clube. Do começo ao final da saga dos dois amantes para finalmente ficarem juntos, sem que guerras sem sentido ou nuvens de água salgada os afastem, o leitor se emociona, vibra, ri, quase chora de frustração e avança, página por página, até… (se eu contar perde a graça!)

Em resumo, o livro começa com dois fatos importantes: na vila de Nil, os moradores festejam o fim da guerra do Leito Seco, iniciada porque um belo dia o rio Inrique desapareceu do seu leito, deixando os moradores desconfiados dos vizinhos. Enquanto isso, no fundo do mar, os filhos do rei Pindo IV tentam encontrar o presente ideal de aniversário para o pai e decidem viajar à superfície. Quando os mundos de fora e de dentro do mar se encontram, literamente, “mil coisas podes acontecer”, numa sucessão de fatos que brinca com a ideia das reações em cadeia.

O livro passa uma mensagem muito positiva do tipo “nunca é tarde para mudar a trajetória da própria vida”. Que o digam os moradores da simpática vila de Nil, que aproveitam a sucessão dos fatos e vão alterando suas posições na trama, de forma aparentemente nonsense, mas que carrega aquela lógica inerente aos que não tem medo de experimentar o novo.

Outra mensagem muito bacana para os pequenos, e os crescidos também, é a persistência. Pouco, que era soldado, aplica-se aos estudos de música até aprender a tocar uma tuba e assim virar músico da banda municipal; Propicius, que recebe o cargo de coveiro e servente do cemitério da vila, obstina-se em fazer da necrópole um jardim florido; Lina inicia uma busca insistente e incansável por reencontrar seu amado raptado por uma nuvem. Cada personagem da obra nos mostra o valor de lutar por aquilo que acreditamos. É muito lindo!

Importante também ressaltar o cuidado da edição em português. Tanto no que diz respeito à tradução e revisão final do texto, quanto na preservação das ilustrações originais e da própria forma como o autor encadeou a história. O livro é ainda um deleite visual.

Mil coisas podem acontecer promete uma continuação. A história tem um final aberto para muitos dos personagens e o leitor já fica se torcendo de ansiedade pelo próximo volume dessa divertida saga dos nilenses. Que os deuses da criatividade favoreçam o autor e em breve venha mais aventura por aí!

Ficha Técnica:

Mil coisas podem acontecer

Autor e ilustrador: Jacobo Fernández Serrano

Tradução: Luiz Reyes Gil

Editora Autêntica

216 páginas

Preço sugerido: R$ 39,00


Resenha: A fala de uma criança pela voz de um adulto

postado por Andreia Santana @ 1:02 PM
23 de maio de 2012

O italiano Edmondo de Amicis bem que tenta fazer o leitor acreditar que quem narra Cuore é um menino de nove anos, mas é a sua voz de um homem feito e cheio de boas intenções, mas marcado pelos preconceitos de seu tempo, que é ouvida. Escrito em forma de diário, onde um garoto italiano de meados do século XIX narra o dia a dia em uma escola pública onde estudam filhos de pobres e ricos, o livro é considerado um clássico, mas não é dos tais que podem ser lidos a qualquer tempo como se falasse dos dias de hoje. Cuore é datado e sua leitura se justifica mais como curiosidade antropológica.

O tom lacrimoso da obra e a defesa ferrenha de um patriotismo até certo ponto cego comprometem a fruição do livro por um leitor contemporâneo e mais crítico, embora a edição em português (da Autêntica) prime pelo criterioso trabalho de contextualização através de uma boa introdução da editora e de notas de rodapé. Ainda assim, boa parte dos conselhos de Amicis, como bem definiu um dos personagens de Umberto Eco – Gragnola, do livro A misteriosa chama da rainha Loana, soa fascistas.

Há no livro um excesso de caridade cristã, um engrandecimento da pátria e da figura dos governantes (no caso da obra, do rei), uma exortação à moral e aos bons costumes que flertam perigosamente com ideais totalitários. É compreensível que na Itália recém-unificada do período, as obras infantis buscassem inspirar nos pequenos leitores a ideia de nação, respeito e união entre as diversas províncias, de culturas e dialetos diversos, que formavam o país. Mas ainda assim, há nas entrelinhas de Cuore um certo fanatismo.

A forma como os pais do protagonista lidam com ele também é impensável nos dias de hoje, visto que os métodos de educação, ao menos teoricamente, evoluíram da velha chantagem emocional com objetivo de deixar o outro culpado (“assim você mata a sua mãe de desgosto”) para uma tentativa de se estabelecer um diálogo e uma compreensão melhor entre pais e filhos. Mas Cuore é um livro que divide as crianças em anjos e casos perdidos. Sendo que os últimos são tratados sem a menor condescendência ou sequer uma tentativa de reabilitação.

A fala de Enrico, o personagem central e narrador do diário, é enfadonha, artificial e adultizada em excesso, o que se justifica pela própria semi-existência de um conceito de infância na época em que a obra foi escrita. Amicis não parece compreender as crianças e o universo infantil, daí não ser capaz de falar como uma delas.

Em resumo, Enrico é um garoto bem-nascido, filho de um engenheiro rico, e dotado daquela superioridade que se traveste de piedade para com os desafortunados. Piedade essa que estende uma moeda ou um pão ao faminto, mas que não encoraja mudanças no status social, por exemplo.

Os amigos pobres de Enrico são sempre tratados como coitados e a qualquer grosseria feita pelo menino para um deles, num caso típico da idade e das rixas infantis, é punida pelo pai do garoto com um sermão pio que segue caminhos tortuosos. Enrico, diz seu pai, precisa manter sua posição de superioridade, servindo aos amiguinhos pobres como inspiração em termos de cavalheirismo, embora por sua condição de nascimento eles nunca cheguem de fato a cavalheiros.

As intervenções desse pai de fina estirpe no diário do filho, através de longas cartas e inserções no caderno onde o menino registra seu cotidiano escolar e desabafa suas incertezas, mostram a preocupação de um pai em ensinar ao filho como demarcar seu status social desde muito cedo, mas a fazer isso de forma gentil, piedosa e até certo ponto hipócrita. O mundo é dividido entre nós, os bem-nascidos, e eles, os necessitados. E só.

No meio dos dois grupos, demarcando a fronteira, um engrandecimento e louvação excessiva ao exército e à figura do soldado como guardião do status quo da sociedade. Fascista, com certeza. E embora o fascismo ainda não existisse nos tempo de Amicis, de algum lugar  – ou de vários lugares – os criadores do partido tiraram os fundamentos de sua ideologia.

O incentivo ao respeito ao outro, que poderia ser o grande discurso do livro, apenas se insinua, mas sempre com a mancha da divisão da sociedade por classes, o que no fim das contas compromete tanto a leitura quanto a moral da história.

De certa forma, Cuore é um incentivo não à compreensão, mas á tolerância e como bem disse José Saramago certa vez, o ato de tolerar o outro nunca pode ser confundido com o ato de compreender.

Quando se compreende é porque houve a capacidade de ver o mundo e senti-lo na carne do outro; mas quando se tolera, apenas se reforça uma tendência à magnanimidade: “vá lá que eu sou tolerante com você, porque sou superior”.

Uma mensagem nada edificante, não acham?

Ficha Técnica

Cuore

Autor: Edmondo de Amicis

Tradução: Maria Valéria Rezende

Ilustrações: Daniel Hazan

272 páginas

R$ 39,90

 


Micrômegas: uma viagem estelar de ironia em ironia

postado por Andreia Santana @ 2:57 PM
21 de maio de 2012

“porque nós aqui, nesta nossa bolinha de barro, não costumamos pensar em nada que seja diferente dos nossos próprios costumes.”(Voltaire)

Um ser colossal, sábio e carismático que viaja em caudas de cometa e raios de sol por diversos planetas até chegar à Terra. No século XVIII, o pensador francês Voltaire (um dos pais do Iluminismo), criou um pequeno libelo ao livre pensamento, usando para isso uma linguagem recheada de ironia. Micrômegas – Uma viagem filosófica inspira-se em As Viagens de Gulliver, de Jonathan Swift, e é leitura instigante para crianças e adultos.

Através das investigações filosófico científicas desse gigante com altura quilométrica, o autor questiona os valores da sociedade do seu tempo e ironiza a igreja e a perseguição que a fé empreende à evolução da ciência. Não poupa também as indolentes cortes europeias, com seus pseudo-sábios, acomodados ao conhecimento já estabelecido e incapazes de questionar o status quo.

Micrômegas, o nome do gigante é o mesmo do livro, é um ser inquieto, milenar, dotado de conhecimentos muito acima da capacidade dos seres humanos, mas ainda assim, mostrando-se discípulo de uma tradição socrática, considera-se um mero aprendiz. De planeta em planeta, ele tenta saciar sua curiosidade inata, mas percebe que o universo é pontuado de criaturas infinitamente menores que ele tanto em tamanho quanto em sabedoria, que de forma arrogante consideram-se geniais.

Era de se esperar que uma obra para crianças, ainda mais escrita por um filósofo do século XVIII, trouxesse fórmulas morais prontas. Mas Voltaire não pretende catequizar seus jovens leitores, apenas levá-los a questionar o óbvio e enxergar além da aparência ordinária das coisas. De certa forma, o livro é ainda um libelo contra o preconceito, pois Micrômegas, embora muito mais evoluído que os seres que visita, está sempre disposto a ouvi-los e aprender.

A edição em português, da Autêntica, é bem cuidada e recheada de notas de rodapé que familiarizam o leitor tanto com os costumes do tempo de Voltaire quanto com seus conceitos científicos e filosóficos. No tempo do autor, por exemplo, ainda não se havia descoberto o átomo. Com a contextualização, ao invés de dar a impressão de que o livro é ultrapassado, a edição mostra que as descobertas, mas principalmente aquilo que os cientistas do tempo de Voltaire não sabiam, é que impulsionou a nossa evolução.

O livro é uma mistura acertada de investigação empírica com dedução lógica, mas seu grande mérito é colocar as coisas sob perspectivas diferentes. A própria metáfora da altura descomunal de Micrômegas é uma forma de nos levar, humanos tão pequenos e tão cheios de si, a olhar a vida sempre por ângulos diferentes.

Ficha Técnica:

Micrômegas – Uma história filosófica

Autor: Voltaire

Tradução: Maria Valéria Rezende

Ilustração: Diogo Droschi

64 páginas

R$ 29,90


Autêntica lança mais três obras juvenis

postado por Andreia Santana @ 10:29 PM
18 de maio de 2012

A editora Autêntica lança agora em maio mais três obras juvenis que podem ser consumidas sem moderação pelos adultos. Confira as informações técnicas e sinopses, escolha o livro que mais se identifica com você e boa leitura!

O diário de Gian Burrasca

Autor: Vamba (Luigi Bertelli)

Tradução: Reginaldo Francisco

248 páginas

Preço: R$ 34,00

Sinopse: O livro, escrito pelo jornalista e humorista italiano Vamba (1858 – 1920), é considerado um clássico e foi publicado originalmente entre 1907 e 1908, como folhetim. Conta a história de Gian, um menino de Florença, do começo do século XX, bem travesso e com um olhar crítico sobre a vida e as regras impostas pela repressora escola e pelos adultos. Escrito em forma de diário, o livro é uma metáfora que critica a política, religião e preconceitos da sociedade pequeno-burguesa.

Você é livre!

Autora: Dominique Torrés

Tradução: Maria Valéria Rezende

112 páginas

Preço: R$ 32,00

Sinopse: Dominique Torrés, jornalista e documentarista que faz filmes sobre a escravidão ainda vigente em alguns países no século XXI e que escreve artigos denunciando o problema, une ficção e realidade para contar o drama de Amsy, um menino do Níger, na África Ocidental, que junto com os pais, é escravo de uma família tuaregue (nômades que transitam pelos países do deserto do Saara). Amsy encontra um homem que propõe levá-lo para a cidade, onde ele poderá deixar de ser escravo. O menino então precisa lidar com o dilema de libertar-se enquanto os pais ainda permanecem no cativeiro e também o desejo de encontrar sua irmãzinha, vendida para outro grupo tuaregue.

Retratos da Escola

Vários autores

Organização: Adriano Macedo

88 páginas

Preço: R$ 29,00

Sinopse: O livro reúne contos e crônicas de autores de várias gerações, como Machado de Assis, Raul Pompéia, Affonso Romano de Sant´Anna, Lourenço Diaféria, Branca Maria de Paula, o próprio Adriano Macedo e outros, sobre a vida escolar. Para alguns autores, a escola é um espaço de opressão, enquanto para outros é um tempo de muito lirismo. Os textos abordam temas como poder, medo, delação, corrupção, dúvidas, culpa e arrependimento.

*Com informações fornecidas pela editora


Autêntica publica livro infantojuvenil de autor espanhol premiado

postado por Andreia Santana @ 11:22 PM
24 de abril de 2012

Mil coisas podem acontecer, do escritor espanhol Jacobo Fernández Serrano, chega ao mercado editorial brasileiro agora em abril pela Autêntica, em uma cuidadosa edição, com um delicado, lúdico e bem cuidado projeto gráfico. O livro venceu o Prêmio Merlin de Literatura Infantojuvenil, em 2009.

Mil coisas… conta uma aventura que começa no fundo do mar, quando Neda e Mercurim, os filhos do rei Pindo IV, senhor do oceano, decidem dar um presente de aniversário ao pai. Os dois querem substituir a velha e feia coroa usada pelo rei por uma novinha e a confusão que começa no mar vai esbarrar em terra, na vila de Nil, onde outros acontecimentos totalmente nonsense estão se desenrolando, como por exemplom uma guerra declarada pelo desaparecimento de um rio…

Com diálogos rápidos, texto leve  e uma narrativa cheia de humor, o livro promete transportar seus pequenos (e grandes, por que não?) leitores por uma jornada deliciosamente surreal.  O próprio autor ilustra a obra, com desenhos muito inspirados e cheios de encanto.

Quem é? – Jacobo Fernández Serrando nasceu em Vigo, Espanha, em 1971. Formado em Belas Artes e Pintura, trabalha como ilustrador, cria histórias em quadrinhos, escreve histórias infantis e pinta. O autor mantém um blog dedicado às crianças que leem, escrevem e desenham: milcousas.wordpress.com (em espanhol).

Ficha Técnica:

Mil coisas podem acontecer

Autor e ilustrador: Jacobo Fernández Serrano

Tradução: Luiz Reyes Gil

Editora Autêntica

216 páginas

Preço sugerido: R$ 39,00


Autêntica lança clássicos da literatura para o público juvenil

postado por Andreia Santana @ 10:27 PM
23 de março de 2012

Cuore, romance publicado em 1886 pelo jornalista italiano Edmondo Amicis, e Micrômegas – Uma história filosófica, obra do filósofo francês Voltaire, de 1752, ganham edição em língua portuguesa pela Autêntica, no novo projeto da editora especialista em obras acadêmicas e de humanidades, voltado para o segmento infanto-juvenil.

Cuore (coração em italiano), é um diário escolar narrado por um estudante da 3ª série de uma escola municipal da Itália. O livro, considerado um clássico do gênero, traz para as crianças de hoje um pouco do cotidiano de meninos e meninas do final do século XIX.  Já Micrômegas é considerado um dos primeiros textos de ficção científica publicados e um dos pioneiros a explorar a possibilidade da terra ser explorada por seres de outros planetas. Inspira-se em As viagens de Gulliver, obra de 1726, de Jonathan Swift.

A Autêntica, que inaugurou seu catálogo infantil em 2008, irá lançar ainda, dentro da mesma proposta, os títulos O diário de Gian Burrasca, do autor italiano Vamba e publicado originalmente em 1912; e O castelo encantado, da inglesa E. Nesbit, texto original de 1907. Litte Dorrit, de Charles Dickens também está em fase de tradução pela editora.

Ficha Técnica:

Cuore

Autor: Edmondo de Amicis

Tradução: Maria Valéria Rezende

Ilustrações: Daniel Hazan

272 páginas /R$ 39,90

Ficha Técnica:

Micrômegas – Uma história filosófica

Autor: Voltaire

Tradução: Maria Valéria Rezende

Ilustração: Diogo Droschi

64 páginas /R$ 29,90